Leunam

Literatura Cearense

Em Sobral: a bondade dos padres

Antônio Marcelo Farias, na Betânia, de 1956 a 1961

Já no sexto ano, numa aula de Português, o Padre Osvaldo Chaves passou-nos uma tarefa. Era uma pesquisa sobre os hábitos, os costumes, o folclore, as lendas, as características de uma cidade do interior. Com a ideia que tinha de Sobral, imaginava que estava dispensado da tarefa e arrisquei lá do fundo da sala:

-Padre Osvaldo, neste caso eu estou dispensado, não é?

-Por que, Marcelo, perguntou o professor, escandindo bem o meu nome, como sempre o fazia.

-Eu moro em Sobral…

Esta era a concepção da cidade em que nasci, em nove de janeiro de 1942. Sobral era o centro do mundo. Não podia ter características próprias de cidade do interior. Aquela ideia fora sendo sedimentada ao longo dos meus primeiros anos de vida por tudo que eu via e ouvia. Era a cidade em que muitas casas possuíam piano que era tocado pelas belas moças que habitavam as mais bonitas casas. Sobral tinha um Bispo Conde que presidia solenidades litúrgicas memoráveis. Sobral tinha um Arco do Triunfo que deixava todo mundo encantado. Tinha a única estação de rádio da região norte do Ceará: Rádio Iracema. Em 1955, o representante do Papa estivera em Sobral para as Bodas de Ouro de nosso Bispo Conde. Cardeais, bispos e padres acorreram de todo canto para aquela grande festa. Sobral não era igual às demais cidades.

Meus pais, Sebastião Lopes de Farias e Angelita Liberato de Carvalho Farias cuidavam dos filhos com um carinho todo especial. Ele era funcionário do Banco do Brasil, um emprego cobiçado por muita gente. Dava status. Minha mãe cuidava das tarefas domésticas, dando atenção especial à educação dos filhos. Indiretamente, a ação do Bispo Dom José Tupinambá da Frota, sobralense, estimulando as famílias para a educação dos filhos, chegava a todos os lares. E o próprio Bispo tomou a iniciativa de criar os principais colégios da cidade para motivar as famílias.

Uma das instituições foi o Colégio Santana onde tive a honra de estudar. Era dirigido pelas Irmãs Filhas de Santana. Foi lá que fiz o Jardim da Infância sob a orientação da Mestra Ema.

Era um privilégio poder estudar naquele Colégio que ainda hoje honra a cidade de Sobral.  Destaca-se pela imponência de suas instalações e pela qualidade de seu ensino. Era a continuação de nossas casas. De amigos de infância, ainda guardo na memória os nomes de Raimundo Adolfo Soares, José Roberto Vieira, Haroldo Parente e Wanderley Barreto Lima que também foi contemporâneo no Seminário de Sobral.

O próprio ambiente no Colégio Santana, o clima religioso que existia na cidade, as aulas de catecismo com Dona Jurandir Verniaud, os atos religiosos na Catedral, na Igreja do Rosário e na Igreja do Patrocínio, celebrados respectivamente por Mons. Domingos Araújo, Mons. Francisco Felipe Fontenele e Mons. José Osmar Carneiro, já despertavam a atenção de qualquer criança. Os atos religiosos, especialmente da Semana Santa, presididos por Dom José, sensibilizavam a todos. Qual o menino que não gostaria de estar lá no altar, ao lado do Bispo e de tantos padres? A leitura frequente do jornal católico Correio da Semana também exercia muita influência.

Todo aquele ambiente despertava a atenção das crianças, além do clima religioso do ambiente familiar. Todas as famílias acalentavam o sonho de ter um filho padre. Naquele tempo em que todos os padres e seminaristas usavam batinas pretas, não era raro vê-los circulando pela cidade despertando a atenção da comunidade. Dava certo “status”. Eu tinha que seguir aquele caminho. Era o que me passava pela cabeça.

Comecei pelo Pré-Seminário, uma instituição criada pelo Mons. Joaquim Arnóbio de Andrade, que tinha quase o mesmo sistema do Seminário e era ajudado pelo Padre Francisco Tupinambá Melo. Além disto, também funcionava na Betânia, no mesmo prédio do Seminário Menor de São José de Sobral. Lá eu estudei nos anos de 1954 e 1955.

A aproximação com o Seminário aumentou a vontade de mudar-me para lá. Isto aconteceu em 1956. As diferenças que senti no tocante às regras de conduta foram mínimas. A grande diferença era o fato de ter que estar sempre vestido de batina preta e um sistema de aula bem mais avançado. Afinal de contas estava começando o Ginásio.

Foi um período extraordinário. O que mais me marcou no Seminário: foi a bondade dos padres. Todos extremamente dedicados e empenhados na transmissão de conhecimentos humanísticos. Como me recordo dos sermões e “avisos” do padre Austregésilo, das conferências e preleções do padre Manuel Edmilson Cruz, das aulas de “civilidade” do padre José Linhares, verdadeiro código de comportamento humano em sociedade,  das excelentes aulas de Geografia, do padre Marconi Freire Montezuma, das aulas de literatura, do padre Oswaldo Carneiro Chaves, das aulas de História, do padre Edson Frota, de Grego, do padre Albani,  de Latim do padre Francisco Sadoc e de Francês do padre Moésia Nogueira Borges. Inesquecível a Semana da Pátria na Serra da Meruoca em que o nosso tempo era praticamente dedicado exclusivamente ao lazer; os famosos torneios de futebol que me cabia a tarefa de organizar.

Também se tornaram inesquecíveis as sessões lítero-musicais, as festas comemorativas, as reuniões do Grêmio Dom José e da Cruzada São Tarcísio, animadas pelo canto orfeônico. Como não recordar a melodia do canto gregoriano, ecoando pela capela do Preciosíssimo Sangue: Veni creator, Stabat Mater, Salve Regina. Ainda ecoam nos meus ouvidos outras melodias que entoávamos diariamente: Virgo Maria, Mitte, Domine.

No Seminário de Sobral fiquei até 1961. Após cursar o primeiro ano de Filosofia, no Seminário Regional do Nordeste, em Olinda, concluí que deveria seguir outro caminho e saí em 1962. Tinha que procurar a minha realização humana, não como padre, mas me formando em Engenharia e com objetivo de constituir uma família. Preparei-me para o vestibular e cursei Engenharia na Universidade Federal do Ceará de 1965 a 1970 quando me graduei.

Exerci a minha atividade profissional como Engenheiro Químico em várias empresas da região de São Paulo. Casei-me em 1972, no dia nove de dezembro, com Maria Stela Paiva Farias, cearense, de Fortaleza, graduada em Serviço Social e minha contemporânea nos tempos da UFC. De nosso casamento nasceram: Marcela Paiva Farias, graduada em Farmácia e Bioquímica, pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, atuando na área de Pesquisa Clínica; Leonardo Paiva Farias, graduado em Biologia pelo Instituto de Ciências Biológicas da Universidade de São Paulo, com Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado pelo Instituto Butantã. 

Depois de uma longa caminhada de atividades no mundo do estudo e do trabalho, chega o tempo do repouso merecido, cheio de boas recordações, mesclado com alguns passeios pelo Chile, Argentina, Colômbia e pelo mundo dos sonhos que sempre nos acompanham. Depois de tudo é muito bom constatar que tudo valeu pena!

Antônio Marcelo Liberato Farias, cearense de Sobral, Engenheiro Químico, residente em São Paulo – texto escrito para o livro SEMINÁRIO DA BETÂNIA – AD VITAM – 65 DECLARAÇÕES DE AMOR, de Leunam Gomes e Aguiar Moura.

So a titulo de informar positivamente

Caríssimos (as) SOMENTE COM A FINALIDADE DE INFORMAR POSITIVAMENTE a vocês a a realidade dos fatos, ainda a pouco assisti a uma live de um dos maiores infectologistas do Ceará Doutor  Ronaldo Pedrosa chefeda UTI do hospital Mont Klinikum, onde o mesmo informou  que todos os pacientes internados  no Mont Klinikum, já estão sendo tratados com a combinação dos remédios AZITROMICINA+HIDROXICLOROQUINA e etão tendo uma resposta magnifica de baixa o PCR (exame que mede a doença), ou seja comprovadamente o remédio que já esta sendo distribuído em todos os hospitais realmente é eficaz para o tratamento, então presume-se que em 24/48 horas teremos total controle sobre esta peste, que deverá ser transformada em mais uma gripe como o H1 N1. Boa noite a todos!

Literatura Cearense: O Seminário de Sobral em minha vida! Benes Alencar Sales

Autor do Texto
Benes Alencar Sales
Cheguei ao vistoso casarão da Betânia nos primeiros dias do longínquo mês de fevereiro de 1953. Saí de trem de minha cidade natal, Crateús, às cinco horas de uma saudosa manhã e fui recebido em Sobral por padre Marconi, parente da família, que me acolheu com carinho na casa de sua mãe. Levou-me, a seguir, a um estabelecimento comercial para adquirir um chapéu eclesiástico, um dos últimos itens da indumentária oficial da nova vida que me propusera.  

No mesmo dia, conduziu-me ao Seminário, onde compunha o corpo de professores.

Embora tivesse apenas treze anos, a vida de internato não me era estranha. No ano anterior, eu estudara em Fortaleza, no Colégio Cearense Sagrado Coração, dos irmãos maristas, onde, como interno, na divisão dos menores, cursei o primeiro ano ginasial. Foi lá que me surgiu um pensamento que foi tomando vulto nos últimos meses de 1952: o de ingressar na vida religiosa. No final daquele ano, ao entrar de férias, retornei à casa de meus pais, imbuído da ideia de seguir para o juvenato marista de Apipucos em Recife.

Meu pai, percebendo firmeza em minha decisão e ao mesmo tempo considerando a minha idade, tentou mostrar-me que Recife era muito distante. Fortalecido por sua esposa, minha segunda mãe e irmã de padre Marconi, propôs que eu fosse para o Seminário de Sobral. Acatei sem delongas a sugestão, e o enxoval começou a ser preparado, inclusive a batina de casimira preta confeccionada em Crateús pelo senhor “Manelinho” Bonfim, cujo feitio, só mais tarde pude constatar, aproximava-se das batinas fabricadas pela alfaiataria de alta costura do senhor Lira, em Recife, alfaiate “oficial” de quase todo o clero do Nordeste, inclusive do clero sobralense.

Os seis anos vividos no Seminário da Betânia decorreram de forma tranquila e prazerosa. Fiz grandes amizades que ainda hoje deixam suas marcas. Entre os sacerdotes que ali residiam, quero destacar os padres Austregésilo (reitor), Arnóbio (diretor espiritual) e Edmilson Cruz (professor de latim e de inglês)pela espiritualidade que irradiavam. Padre Marconi, que havia estudado filosofia e teologia em São Leopoldo – Rio Grande do Sul, despertou-nos o gosto pela música erudita, criando no Seminário um espaço físico bem equipado com som e coleções de discos, onde podíamos ouvir e comentar as músicas dos mais diversos clássicos.

Lembro-me ainda que acordávamos nos feriados ao som dos “dobrados” e das lindas músicas trazidas por ele do Sul do País. Padre Sadoc, vindo de seus estudos na Universidade Gregoriana (Roma), aperfeiçoou a Schola Cantorum (da qual eu era tenor), que executava músicas sacras de elevada qualidade, nas missas solenes celebradas no Seminário, na capela do Preciosíssimo Sangue. Também cantávamos nas cerimônias da Catedral de Sobral em que o Senhor Bispo se fazia presente e, algumas vezes, em Primeiras Missas celebradas por neossacerdotes de cidades próximas da sede da Diocese. Em dias festivos, a Schola transformava-se em Coral e apresentava nas solenidades músicas profanas de grandes compositores, cantadas em várias vozes, com que tanto me deleitava.

Menciono ainda os padres José Linhares e Albani, sobretudo pela mentalidade aberta e pelo modo como tratavam e formavam os adolescentes daquela casa religiosa. José Linhares, trazendo-nos as ideias do inglês Baden Powell, fundador do escotismo, ajudava-nos na formação do caráter e a enfrentar em grupo as dificuldades com lealdade. Tudo isto dentro do espírito alegre e corajoso dos escoteiros que buscávamos na literatura desse movimento que ele nos fazia chegar às mãos. Formávamos equipes e vivenciávamos na Betânia, na medida do possível, a prática do escotismo, seguindo a mística de Baden Powell. No entanto, era no grande prédio de veraneio situado na Serra da Meruoca, extensão do Seminário de Sobral, que nosso movimento escotista ganhava força. Ali, anualmente, sempre em setembro, passávamos alguns dias de férias por ocasião da “Semana da Pátria”. O ambiente ecológico da Meruoca apresentava-se-nos como ímpar para pormos em prática o escotismo e levava-nos a executar o que líamos nos manuais. Abríamos trilhas, marcávamos e seguíamos “sinais” deixados ao longo dos caminhos pelas diversas equipes de “escoteiros”, escalávamos morros dos arredores e exercitávamos outras atividades lúdicas que me escapam à lembrança.

Foi também por intermédio de José Linhares que, nos meus últimos anos do seminário menor, passei a conhecer a JEC (Juventude Estudantil Católica), ramo do Movimento de Ação Católica iniciado com a JOC (Juventude Operária Católica), fundada na Bélgica pelo cardeal Cardijn. A JEC é a presença da Igreja no meio dos estudantes secundaristas. Um pequeno número de colegas do Seminário, do qual eu fazia parte, como estudantes secundaristas que éramos, formamos uma equipe de JEC, tendo José Linhares como Padre Assistente, da mesma maneira que todos os ramos da Ação Católica têm um padre como assistente. Não só líamos sobre esse Movimento, mas sobre a Ação Católica em geral. Da mesma maneira como ocorria com o escotismo, tentávamos experienciar a JEC dentro do Seminário, fazendo reuniões periódicas em que revisávamos nossa ação à luz do método ver, julgar e Agir, aplicado pela Ação Católica. Empolguei-me com o Movimento. Naquela época, era com ele que pensava me dedicar à pastoral de jovens, futuramente como sacerdote. Lembro-me que, em determinado mês de férias, participei juntamente com meu colega de ano, José Vitorino, de um encontro de JEC na cidade do Ipu, a convite de padre Almeida.

Posso afirmar que os seis anos passados no Seminário de Sobral (1953-1958) foram vividos intensamente e me proporcionaram uma riqueza inestimável pela convivência amiga com os colegas e mestres e pela aprendizagem que marcou toda a minha vida futura, sobretudo no campo espiritual e intelectual. No plano intelectual, destaco o hábito de estudo que um regime de internato favorece e o meu amor à música. No plano espiritual, a influência maior prende-se à figura de Albani.

Albani, após ter chegado de Roma, residiu em Sobral até o fim de seus dias. Todavia, sua presença na minha vida mostrou-se não apenas no Seminário da Betânia. Acompanhou-me nos cursos de filosofia e teologia nos Seminário da Prainha e de Olinda em Pernambuco, refletiu-se na época em que fui padre, na Diocese de Crateús (1966-1969) e até mesmo quando me transferi para Recife, após ter deixado o exercício do sacerdócio. O interessante é que, nos últimos trinta anos que antecederam sua morte, nossos encontros, quer pela presença física quer por outras formas de comunicação, foram esparsos. Conversei com Albani já hospitalizado. Sua alegria era a de sempre. Parecia-me que se preparava para uma simples viagem. Ele foi a maior presença do Seminário de Sobral na minha vida. Marcou-me profundamente por sua alegria, simplicidade, autenticidade, sinceridade, espontaneidade, amizade a toda prova, por suas loucuras e, contraditoriamente, por sua santidade à laPetits Frères de Jésus”,deCharlesde Foucauld, que ele tanto os admirava, ainda que, por motivos que ignoro, não houvesse ingressado oficialmente nessa congregação religiosa.

Resido em Recife desde 1970. Casei-me e tenho três filhos. Revalidei o Curso de Filosofia na Universidade Católica, onde lecionei durante 36 anos. Fiz o Curso de Economia e posteriormente o mestrado em Filosofia, ambos na UFPE. Em 2010, concluí o doutorado, também em Filosofia, e publiquei em 2013 pelas Edições Loyola o livro Descartes: das paixões à moral. Sou também auditor fiscal aposentado da Secretaria da Fazenda de Pernambuco.

Colegas de Seminário
Da esquerda para a direita: Assis Rocha, Vitorino, Edvar, Pedro Alcântara, Benes e Vieira. Abaixo: Defrísio, Padre Zé Linhares e Manoel Alcides.

Vejo por demais oportuna a feliz ideia proposta por Leunam e Aguiar Moura de publicarmos um livro sobre a importância do Seminário da Betânia em nossa vida. Em um primeiro momento, indaguei-me se não seria exigir muito de minha memória, recordações de fatos que já ultrapassam sessenta anos. Entretanto, à medida que as lembranças começaram a fluir, a tarefa que parecia representar um embaraço, converteu-se em um exercício que me trouxe muito prazer.

Passando em revista tantas recordações, agradeço a todos os que comigo conviveram na Betânia a alegria que me deram com suas presenças. Por último, tenho a convicção de que o tempo vivido no Seminário de Sobral foi estruturante para eu ser o que sou.   

(*) Benes Alencar Sales, cearense de Crateús, é Padre casado,  Professor de Filosofia, escritor, residente no Recife.

O Descrédito do judiciário e as incursões questionáveis de seus agentes. Dr. Franzé Bezerra – Advogado (*)

autor do artigo
Advogado Franzé Bezerra

Em artigo, publicado no apagar das luzes do ano transato, intitulado Ativismo Judicial, já se demonstrava preocupação com o excesso de protagonismo de muitos integrantes do Poder Judiciário, com inevitável descrença na instituição, indispensável para a garantia do Estado Democrático de Direito, ao lado da quebra da equidistância de seus atores na formalização do devido processo legal, acusação, defesa e julgador.

O ordenamento jurídico pátrio, como é comezinho não só para os operadores do Direito, como para a sociedade em geral, deixa bem claro os limites de atuação desses atores, a saber: a acusação, acusa; a defesa defende o acusado; e o juiz, julga. Frise-se, por oportuno, que o julgamento se dá após sopesar todos os elementos existentes no caderno processual, sendo certo, ainda, dizer, o que não está nos autos não pertence ao mundo jurídico do processo em análise. É trivial esta tripartição, mas necessária neste momento conturbado, que põe em dúvida a legalidade da famosa operação Lava Jato. Com maior ênfase no Estado do Paraná, em face de suposto “conluio” entre o órgão acusatório e o julgador, malferindo regramentos do arcabouço jurídico nacional, como denunciam os diálogos impróprios entre integrantes do Ministério Público Federal e o então juiz Sergio Moro, hoje guindado ao posto de Ministro da Justiça.

O presente questionamento está posto em discussão Brasil afora. Os tais “vazamentos” trazidos para conhecimento público pelo Intercept Brasil, agora com a participação da Folha de São Paulo, Revista Veja e através do famoso jornalista Reinaldo Azevedo, tem deixado, a cada dia, a comunidade jurídica brasileira, a imprensa estrangeira e muitos cidadãos atônitos com o contexto das mensagens entre o Procurador Deltan Dallagnol, Chefe da Força Tarefa, e o ex-juiz Sergio Moro, então responsável pela 13ª Vara Federal de Curitiba. Indiscutível, até mesmo para os menos crédulos, que a proximidade entre a acusação e o juiz pugna desconfiança latente da PARCIALIDADE de Sergio Moro, notadamente no processo que condenou o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

À luz da Constituição Republicana de 1988, no Título Dos Direitos E Garantias Fundamentais, art. 5º, ao lado dos Tratados Internacionais e do Código de Processo Penal, art. 254, são assegurados a todos os acusados em geral, o julgamento por um Juiz imparcial, que não demonstre interesse de qualquer espécie para nenhuma das partes, posto que vedado os tribunais de exceção.

Neste viés, o Código de ritos, no artigo citado, estabelece que “o juiz dar-se-á por suspeito e, se assim não o fizer, poderá ser recusado por qualquer das partes: I – se for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer deles; II – se ele, seu cônjuge, ascendente ou descendente, estiver respondendo a processo por fato análogo, sobre cujo caráter criminoso haja controvérsia; III – se ele, seu cônjuge, ou parente, consanguíneo, ou afim, até o terceiro grau, inclusive, sustentar demanda ou responder a processo que tenha de ser julgado por qualquer das partes; IV – SE TIVER ACONSELHADO QUALQUER DAS PARTES; V – se for credor ou devedor, tutor ou curador, de qualquer das partes; VI – se for sócio, acionista ou administrador de sociedade interessada no processo”.

É, exatamente, na literalidade do inciso IV, na visão dos mais balizados analistas, que incidiu em grave ilegalidade o ex-juiz Sergio Moro. Os diálogos, vazados pelos canais citados, demonstram, não só, estreita proximidade com a acusação, como também há claras manifestações de aconselhamento, capazes, no entender dos estudiosos, inclusive do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, de macular os processos, em razão da quebra da indispensável imparcialidade, como previsto no ordenamento jurídico pátrio. O caso mais emblemático se dá no momento em que “sugere o ex-juiz a oitiva de certa testemunha, bem como a substituição de uma Procuradora da República, por entender que não estivesse devidamente preparada para atuar no caso posto em julgamento”. Postas essas noções primeiras, e diante dos fatos agora públicos decorrentes do “furo” jornalístico, far-se-á breve análise das consequências possíveis sobre os processos julgados pelo ex-juiz Sergio Moro, bem como a repercussão no meio político.

De início, como já registrado, os chamados “vazamentos dos diálogos havidos como impróprios” entre Juiz e Acusação, podem, sim, anular todos os processos, desde que comprovado que houve manifesto prejuízo à defesa, ou seja, que não havia equilíbrio na balança da Justiça, sem chances de defesa para o réu. Por outro lado, entendido que aquele comportamento atípico e não recomendável não fora capaz de causar o citado desequilíbrio da balança na análise processual, entende-se que os julgamentos não estarão fulminados de nulidade.

Na leitura deste articulista, os envolvidos até o presente momento não questionam a autenticidade dos diálogos. Pelo contrário, admitem que possam ter havido; condenam o meio de como foram acessados, fazendo alusão a uma suposta invasão por hacker criminoso.

Insta mencionar, que o TELEGRAM já se posicionou que não houve o suposto hackeamento, pelo que, deve ser tratado o conteúdo como verossímil diante de mínima prova em contrário. As datas, os contextos, se harmonizam no andamento de fases da chamada FORÇA TAREFA em Curitiba.

Entretanto, não há nenhuma prova de que houve a suposta invasão e, muito menos, de que não são autênticos, haja vista que determinados diálogos foram confirmados por terceiros, desmontando principalmente a versão do ex-juiz.

Sem se fazer juízo de valor do material trazido à tona, pode-se afirmar, com tranquilidade, que o menos importante no contexto atual, e que possa influenciar no desate dos julgamentos, é criminalizar o meio de divulgação, uma vez que a preservação da fonte jornalística está assegurada por norma constitucional (Art. 5º, XIV, CF), inclusive a liberdade de imprensa se trata de um dos pilares do Estado Democrático.

O imbróglio causado pelo furo jornalístico do Intercept Brasil e demais veículos de comunicação envolvidos nesse trabalho, causa, sem dúvida, impacto na estrutura do Poder Judiciário. Aqui mesmo, em nosso Estado, não faz muito tempo, eclodiu o escândalo denominado Expresso 150, batizado assim em razão da venda de decisões pelo valor de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), onde se encontravam envolvidos integrantes do Tribunal de Justiça e Advogados. Não há intuito de se fazer qualquer similitude dos fatos, mas para demonstrar que mesmo uma instituição da importância do Poder Judiciário não está imune à ambição daqueles que o integram.

O meio político encontra-se dividido quanto às consequências e ilegalidades dos diálogos entre o procurador e juiz. Um lado, alinhado ao governo, defende o comportamento do ex-juiz. De outro lado, a oposição, escancara que se trata de grave crime à democracia brasileira, afirmando que o ex-juiz tinha projeto de poder, enquanto o procurador demonstrou avidez por ganhos, no exercício de seu mister além do institucional. Ademais, para a comunidade jurídica internacional a decisão do ex-juiz é muito questionável, sem a robustez necessária para uma condenação.

Ademais, ao lado de todos esses legítimos questionamentos e por ter o ex-juiz – havido como algoz do ex-presidente – aceito integrar o atual Governo, põe, mais e mais, em dúvida sua imparcialidade na condução dos processos em Curitiba.   

Não é despiciendo o embate travado pelos Deputados e o ex-juiz, onde ficou demonstrado o incômodo de muitos parlamentares com o comportamento atípico do magistrado à frente da 13ª Vara Federal de Curitiba, levando, inclusive, ao Deputado Glauber Braga de chamá-lo de juiz ladrão, referindo-se à sua interferência nas últimas eleições quando planejou dentro do calendário eleitoral a condenação do candidato que estava à frente da preferência popular, no caso o ex-presidente Lula. No entender deste articulista, o parlamentar quis se referir “ladrão da democracia”, não aos crimes contra o patrimônio.

Enfim, ter-se-á que aguardar que novos fatos se somem aos já existentes e saber-se-á se irão culminar na anulação dos julgamentos, em face da SUSPEIÇÃO do julgador, como está previsto no ordenamento jurídico, pois a garantia do devido processo legal é dever do Estado para com o cidadão, independentemente de sua digital.  

(*) Francisco José Rodrigues Bezerra de Menezes                                                                                                     Advogado. Pós-graduado Direito Processual Civil e Direito e Processo Eleitoral. Especialista em Direito Civil.  Sócio fundador da Bezerra de Menezes Advogados                                      (Email: [email protected]

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Centro de Desenvolvimento Humano suspende atividades grupais

O Centro de Desenvolvimento Humano – CDH, a Universidade Biocêntrica e a Escola de Biodança do Ceará, em conjunto, lançaram documento suspendendo todas as atividades grupais até o final do mês de março e ainda sugerem que cada pessoa permaneça em casa e evite passeios, festas, encontros e aglomerações.

Literatura Cearense: Resgatando a minha história no Seminário da Betânia

Raimundo Aguiar Silva – Na Betânia de 1964/1967

Antes de qualquer coisa gostaria de destacar a emoção que sinto nesse momento em estar aqui, juntamente com os demais companheiros do Seminário São José de Sobral, para relatarmos nossas experiências vivenciadas durante aqueles inesquecíveis anos de estudo. Foi, sem dúvida nenhuma, um período, que marcou intensamente nossa vida.  Os laços de amizade lá firmados representam hoje o estímulo de estarmos mais uma vez juntos, trazendo à tona lembranças e a certeza de que valeu a pena.

Sou Raimundo Aguiar Silva, na época conhecido como Raimundinho do Padre Tupi, filho do casal Pedro Pereira da Silva e Carmosa Aguiar Silva, segundo na escala dos seus sete filhos. Nasci em Sobral em 8 de novembro de 1951, oriundo de uma família pertencente a uma classe social considerada pobre, mas com uma formação religiosa bastante sólida, principalmente manifestada pela minha mãe Carmosa Aguiar Silva e minha avó adotiva Maria Benvinda Cialdini Rangel, pessoas que influenciaram bastante na minha decisão em entrar para o Seminário. A minha pouca maturidade não me permitiu então perceber ao certo o que necessariamente representava para mim aquela decisão, a não ser vislumbrar uma vida mais fácil, com menos dificuldades financeiras.

Ingressei no Seminário em 1964, época bastante delicada em nosso País, pois vivíamos naquela ocasião o golpe civil-militar de 31 de março, que deu início a um momento conhecido como a Ditadura Militar.  Foi uma situação marcante na nossa história, quando as nossas liberdades foram reprimidas; as nossas vontades, ideais e aspirações, relegados ao silêncio imposto pela repressão. E o Seminário se tornou um reduto da resistência. Éramos mais de cem jovens inebriados pelos princípios revolucionários do Concílio Vaticano II, e o mundo todo ansiava por liberdade e por justiça.

O Seminário nos propunha uma rígida formação religiosa, pautada em preceitos dogmáticos, que não podíamos questionar. Eram-nos passados como verdades absolutas inspiradas na fé. Preceitos e disciplina com que foi construída uma base sólida para toda a nossa formação humana e profissional.  O respeito aos outros, a solidariedade, os bons costumes, o companheirismo, a religiosidade foram inquestionavelmente os alicerces da minha formação, proporcionados pelo inesquecível   Seminário da Betânia.

Durante quatro anos permaneci no Seminário, que fechou suas portas, por problemas financeiros, no final de 1967, momento de muita tristeza para todos nós. Lá aprendi muito e com uma profundidade tal que os conhecimentos adquiridos naquele casarão vêm superando todas as experiências obtidas em outros espaços e determinando êxito nas minhas atividades pelos caminhos da vida.

Em 1968, não mais seminarista, fui estudar em Fortaleza. Na ocasião, a Escola Técnica Federal do Ceará se destacava na educação brasileira. Pleiteei e consegui ali uma vaga, não obstante o número significativo de concorrentes. Conclui, em 1972, o curso de Estradas, especializando-me em Equipamentos Pesados.

. Em 1976 ingressei no curso de Matemática, posteriormente transferido para Engenharia Elétrica, na Universidade de Fortaleza – UNIFOR, curso que, por questões pessoais, não me foi possível concluir.

Hoje, vivo realizado ao lado de minha esposa e quatro filhos, aos quais procuro transmitir o legado da formação que recebi do Seminário como determinante para uma existência digna: simplicidade de vida, respeito aos outros, fé em Deus e nas nossas potencialidades.

Valeu muito ter estudado no Seminário. De tudo tirei proveito: das aulas, das reflexões conduzidas pelos padres, das orações da manhã, dos terços rezados às cinco horas da tarde, das missas diárias matinais, das conversas nos corredores e no refeitório, dos esportes, dos amigos que lá conquistamos. Tenho certeza de que faria tudo da mesma forma. Aqui lembro o poema de Don Herold (1953), “Eu colheria mais margaridas”:

“Se eu pudesse viver minha vida de novo, eu trataria de cometer mais erros na próxima vez (…) correria mais riscos (…) tomaria mais sorvetes. ”

Na realidade eu cometeria menos erros, aproveitaria mais as aulas de Música, Latim, Francês e Português. Seria mais acessível aos momentos de reflexão proporcionados pelos nossos mestres e, com certeza, comeria mais finas tapiocas, chamadas de “lenço de parteira”, servidas no lanche das 9 horas da noite.

 Velhos tempos, belos dias (Roberto Carlos).

Se eu tivesse a mesma chance eu faria tudo exatamente da mesma maneira.

Texto extraído do livro SEMINÁRIO DA BETÂNIA – AD VITAM – 65 DECLARAÇÕES DE AMOR,                                  de Leunam Gomes e Aguiar Moura, Edições UVA, 2015

HOJE na UFC: Educação Biocêntrica e o Ensino Superior

Estamos com ótimas expectativas para esta quinta-feira (12), quando iremos realizar mais uma palestra. Agora, vamos falar sobre “O Ensino Superior e a Educação Biocêntrica”, com O Profº Custódio Almeida e a Profª Ruth Cavalcante. Venha participar, venha conectar novas ideias.

🗓 12 de março )quinta-feira)
🕖 das 18h às 20h
📍 UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (BENFICA)
Centro de Humanidades 1
Av. da Universidade, 2683 – Benfica
Sala de Defesa do Programa de Pós-graduação em Letras, prédio novo, 1º andar
📞 (85) 9.9936-1844 / Sara
📞 (85) 9.9785-0036 / Rozane

PROFESSOR COM PRAZER! VIVÊNCIA E CONVIVÊNCIA NA SALA DE AULA. Por Fernando Lima (*)

Há inúmeros estudiosos na educação que lançam livros anualmente buscando responder, ou procurando elucidar várias questões com relação a problemas da educação moderna. A obra Professor com prazer! Vivência e convivência na sala de aula, escrita pelo Professor Leunam Gomes vem tentar responder por meio de sugestões práticas inúmeras indagações que eclodem a partir das diversas situações que tomam conta do trabalho docente nos espaços educacionais.

            O grande diferencial dessa obra é, não só agregar experiência profissional a prática educacional, como também trazer à luz do pensamento novas indagações que motivem o profissional da educação a refletir e planejar mais efetivamente o trabalho docente em sala de aula.

            Destaco os 25 passos que conduzem todos os profissionais da educação a verem e transformarem a “sala de aula: o saber com prazer, o “roteiro para os primeiros dias de aula” e ainda as “equipes de funções” como parte da obra que tenho utilizado no meu cotidiano profissional, nas diversas turmas que tenho passado, o que tem propiciado um sucesso que vale a pena conhecer e vivenciar. São práticas que podem ser utilizadas em qualquer turma, de qualquer modalidade do ensino, apenas fazendo as adaptações necessárias a partir das especificidades de cada uma.

            Em meio às intempéries da educação, há pessoas, a exemplo do Professor Leunam Gomes que nos instiga a continuar acreditando que é sempre possível transformar. O professor é o agente transformador e é no trabalho diferenciado da sala de aula que o sucesso da prática docente se revela e se solidifica. Já dizia o poeta Bertold Brecht não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, […] nada deve parecer natural, nada deve parecer impossível de mudar.

Professor Fernando Lima é de Poranga, Coordenador da Assistência Social do município. Um dos mais requisitados professores da região por adotar a metodologia da Educação Biocêntrica.

Literatura cearense

O CASARÃO DA BETÂNIA SE TORNOU A NOSSA ETERNA SAUDADE

LOURENÇO ARAÚJO LIMA, na Betânia de1964 a 1967

Quero inicialmente agradecer a Deus por mais esta oportunidade de manter contato com colegas e contemporâneos de Seminário.


Nasci no distrito de Gásea, município de Ipueiras. Ali vivi até meus 16 anos quando vim para sede do município, a fim de estudar.


Fiz uma prova e fui classificado para o terceiro ano primário. Lembro-me que a minha simpática professora, Dona Maria Eliza, disse: tem outro rapaz aqui que tem certa dificuldade e assim não teremos maiores problemas. Era no mês de abril. Felizmente em junho, quando fizemos as provas, fui classificado em segundo lugar da turma e, no final do ano, obtive o primeiro lugar.


Ao começarmos o quarto ano, numa turma muito grande, eu e  alguns colegas tivemos a oportunidade de uma nova prova e, assim, deixamos de ser alunos da Dona Rute e passamos a estudar com  Dona Augusta, no admissão.


No mês de outubro, o meu colega Macário Galdino, também do Distrito de Gásea, que já  estava no Seminário, convenceu-me a falar com o nosso Vigário, Padre Belarmino, manifestando meu interesse de ser seminarista. Confesso que, até então, não havia pensado nisto. Meu sonho era estudar e ser alguém na vida.
Sou o filho mais velho de uma família de 12 irmãos, todos vivos. Também, para a nossa felicidade, são vivos os nossos pais.


Gostaria de, com muito orgulho, ressaltar a personalidade do meu pai, que no dia 13 de setembro deste 2014 completou 97 anos. Este homem, com  seu modo simples, dizia-nos sempre que a maior riqueza que um pai deixava para um filho era o saber, riqueza que ninguém nos rouba e,  quando morremos, a levamos conosco. Sou eternamente grato ao meu querido pai pelos sacrifícios que enfrentou para que eu estudasse, pelas lições de vida que me ensinou.


Fiz prova para o seminário e fui aprovado no exame de admissão. Assim, em fevereiro de 1964, ingressei no Seminário São José de Sobral.

Logo veio o golpe militar de  31 de março, e já  perdíamos o nosso Reitor, Padre José Linhares, que teve de exilar-se na Alemanha..


No primeiro ano, além das  aulas normais, havia  uma nova matéria que nos foi ministrada pelo Padre Osvaldo.  Chamava-se Conhecimentos Gerais. Nesta aula, podíamos perguntar o que quiséssemos. Lembro- me que o colega Fernando Linhares, irmão do nosso Reitor, fez a seguinte pergunta: “o que é o soluço?” E o Pe. Osvaldo, com o seu vasto cabedal de conhecimentos, respondeu: “é apenas um espasmo do diafragma”. Passados alguns anos, quando eu estudava fisiologia da digestão, me deparei novamente com o soluço, e lá estava a mesma definição do Padre Osvaldo. E  mais uma vez pude reverenciar a lembrança do nosso  grande Mestre. Tempos depois, em um de nossos encontros, relatei-lhe o fato, e ele, na sua simplicidade, disse: “menino, e eu sabia isto?”


Segundo ano de seminário, Reitor Padre Sadoc. Muitas mudanças, algumas boas, outras não muito agradáveis.


Terceiro ano, Padre Zé de volta da Alemanha, cheio de novas ideias e conceitos, reassume a reitoria. Foi neste mesmo ano que eu e João Ribeiro, irmão e companheiro de lutas, glórias e infortúnios, juntamente com Francisco Paulo Monteiro, fomos alfabetizar adultos no bairro Dom Expedito, curato de São Pedro, onde o Padre Osvaldo pastoreava o povo de Deus. Foi uma experiência e tanto, uma de nossas muitas ações para salvar o Brasil.


No quarto ano, não mais estudamos no Seminário, fomos para o Colégio Sobralense, mas continuávamos morando na Betânia.

E foi em dezembro de 1967 que o Casarão fechou as suas portas, e os poucos seminaristas que continuaram foram morar no Abrigo Coração de Jesus. E o Casarão da Betânia se tornou a nossa eterna saudade, ele que fora testemunha dos nossos melhores sonhos. 


No final do ano teríamos a festa de formatura dos humanistas, como eram chamados os alunos que terminavam o quarto ano ginasial. Resolvemos por votação prestar homenagem póstuma a Che- Guevara, guerrilheiro argentino morto naquele ano. Qual foi a nossa surpresa, além de não termos festa, ainda fomos ameaçados de prisão.


No ano seguinte, fui estudar em Fortaleza, leigo agora ligado à Diocese de Crateús, cujo bispo Dom Fragoso era considerado comunista pelo regime militar.


No ano seguinte resolvi tentar a vida no Rio de Janeiro. Por aqui novamente me encontrei com meu querido irmão João Ribeiro, que já estava de malas prontas para retornar a Sobral. Assumi o emprego que era dele e ali permaneci até completar meus estudos na Faculdade de Veterinária.


Hoje , 38 anos depois, formado, continuo a exercer a profissão com o mesmo entusiasmo de quando comecei.

 Sou grato por tudo que aprendi no Seminário, não só no aspecto  intelectual, mas principalmente no que tange aos valores morais. A todos aqueles que ajudaram na construção da minha história a minha eterna gratidão.


Tenho um casal de filhos também formados em Veterinária. Estou realizado, obrigado aos meus irmãos e a todos aqueles que fizeram ou fazem parte de minha vida.


Por último quero prestar uma homenagem sincera ao meu irmão e colega João Ribeiro, que admiro e respeito. Ao incansável Aguiar Moura, meu carinho, gratidão e reconhecimento por sua dedicação à causa betanista.


Obrigado a Deus por vocês fazerem parte da minha história.

LOURENÇO ARAÚJO LIMA, de Ipueiras, Médico Veterinário, residente no Rio de Janeiro