ORDENAÇÕES SACERDOTAIS, texto do Dr. Plínio Belchior Magalhães

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Hoje, 30 de novembro de 2021, faz exatamente 69 anos, que eu, na companhia dos meus colegas de seminário, tive a oportunidade de assistir pela primeira vez e, a um só tempo, 04 ordenações sacerdotais na Catedral de Sobral, sob a autoridade de D. José Tupinambá da Frota.

 Naquele tempo, ordenação sacerdotal constituía-se um ato religioso de beleza extraordinária. Tudo era manifesto na elegância do bispo e dos a se ordenar. Todos traziam a imponência e a beleza que lhes garantiam os paramentos de que se faziam revestir naquela hora. Extraordinário era o encanto deixado na Catedral inteira, vindo do coro daquela igreja, trazido pela voz dos seminaristas escolhidos para formar o grupo dos cantores, entre os quais posso dizer me incluía eu. Nas missas de ordenações cantávamos a “Missa de Lorenzo Perosi”. O padre Marconi Freire Montezuma cantava impressionantemente bonito o “Sanctus” e o “Benedictus”. Eu tinha a impressão de que no céu, também, os anjos se calavam para ouvir aquele piedoso enlace entre o coração do padre e o coração de Deus. E, hoje, eu quero acreditar, que por Jesus Cristo, no céu ele foi recebido com aquela voz e com aquele cântico. A missa parecia ter sido ensaiada no céu. O bispo, na  piedade meticulosa de seus gestos, celebrando de costas para o povo, de frente para Deus, deixava transparecer aos corações mais piedosos, uma réplica da transfiguração descrita no Evangelho. Todos nos enternecíamos diante do que víamos e do que ouvíamos. Em todos, os que à missa assistiam, ficava o pressentimento de se estar sentindo o perfume do sagrado, o verdadeiro cheiro de Deus.”

Eram estes os que se haveriam de fazer padres: Luís Ximenes Aragão, José Prado Ponte, Raimundo Cleano Moreira e João Batista Ribeiro.

Naquele dia, fomos despertados mais cedo para vir à Catedral assistir à cerimônia marcada para aquela data. A Catedral de Sobral já estava repleta de pessoas interessadas em ver tudo o que para aquele dia havia sido determinado. A imensa igreja toda branca estava clara ainda, pelos raios do sol nascente que ultrapassando os vitais de cada porta, fazia brilhar o dourado dos paramentos que à espera deles e do bispo, nos lugares certos já se posicionavam desde a noite anterior, quando lá haviam sido previamente organizados sob os pés da Padroeira Nossa Senhora da Conceição, a santa da devoção do Bispo, D. José. Os sinos nas torres altas e brancas da Catedral simbolizando a voz de Deus convidavam todos para a grande celebração. A cerimônia era demorada, mas não nos incomodava ao ponto de nos cansar.

A claridade vinda do alto se derramava exuberante do céu azul como graça proveniente do próprio Deus a cair sobre as terras de Sobral no esplender da criação.

Passo a passo, com meus olhos de 13 anos, eu vi e na memória  eu guardei o desenrolar-se de toda aquela liturgia. Com o passar do tempo, eu os conheci a todos. Um foi meu professor, o padre João Batista Ribeiro. A mim, Deus me concedeu o direito de vê-los até o fim da vida que, a cada um, Deus permitiu viver. Cumpriram o que prometeram a Deus e ao bispo.

Hoje, a minha fé manda-me acreditar estarem todos no céu, comprovando o que, por Jesus Cristo, foi prometido no Sermão da Montanha: Bem-aventurados os limpos de coração porque eles verão a Deus.

Autor: Dr. PLINIO BELCHIOR MAGALHÃES Médico, em Viçosa do Ceará

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